quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Fim de Feira

(Ovelhas Desgarradas - 32)


Em entrevista coletiva realizada na manhã da terça, 18 de novembro, a Câmara Riograndense do Livro (CRL) divulgou os números finais da 54ª Feira do Livro de Porto Alegre. O volume de vendas atingiu 424.046 livros, o que representa uma queda de 8% em relação a 2007. Em função do corte nas verbas solicitadas à Lei de Incentivo à Cultura (LIC) do estado, este ano não se realizou a pesquisa dos livros mais vendidos. O presidente da CRL, João Carneiro, acredita que este fato contribuiu para uma menor concentração das vendas em poucos títulos, aumentando o fenômeno que denominou como "bibliodiversidade".

Já a freqüência de público aos eventos aumentou muito: a programação artística foi prestigiada por 10.355 pessoas, o que inclui os encontros com escritores e shows realizados na Tenda de Pasárgada, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo e no Espaço Pernambuco Nação Cultural. A coordenadora de programação para o público adulto da Feira, Jussara Rodrigues, destacou a participação do estado homenageado:

- Pernambuco veio alegrar a Feira, deixá-la mais leve de forma muito gostosa. A aula-espetáculo de Ariano Suassuana foi uma abertura de luxo.

A grande atração musical pernambucana do último final de semana da Feira foi justamente o grupo batizado de Fim de Feira. Com um repertório que privilegia o forró, o coco e o baião, intercalados com poemas ao estilo cordel, a banda fez rápidas apresentações nas tardes de sexta e sábado, contando com a participação do cantor Josildo Sá, e sendo antecedida por breve recital do poeta Chico Pedrosa, paraibano radicado em Pernambuco. Pedrosa disse vários poemas e contou causos, como o que narrava os apuros de motorista bêbado parado numa blitz. No domingo, como não havia sessões de autógrafos, todos tiveram mais tempo à disposição na Tenda de Autógrafos: tanto Chico Pedrosa quanto Fim de Feira (com Josildo Sá) se apresentaram durante uma hora. O grupo Fim de Feira privilegiou o repertório de seu CD A Revolução dos Pebas, tocando "Sina de Passarinho" (Bruno Lins - Manoel Filó - Tonzinho) e "Dona Jurema" (Bruno Lins -  Tonzinho). Já Josildo, além de interpretar "O Canto da Ema" (D. Ayres Viana - Alventino Cavalcante - João do Vale), homenageou os gaúchos cantando o samba "Se Acaso Você Chegasse" (Lupicínio Rodrigues - Felisberto Martins). Josildo Sá e Bruno Lins, vocalista do Fim de Feira, participaram também do grande espetáculo da noite do sábado, o da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, regida pelo maestro Forró.

Inicialmente programado para o Auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, o show da Bomba do Hemetério foi transferido para o Teatro Sancho Pança, no Cais do Porto, um espaço bem mais amplo - o mesmo em que se realizou a aula-espetáculo Nau, de Ariano Suassuna. As cadeiras da frente do palco foram removidas, para que o público pudesse dançar à vontade ao som de frevos tradicionais como "Evocação" (Nelson Ferreira) e "Vassourinhas", tocados de modo nada tradicional - os arranjos do maestro Forró agregam influências do jazz; além disso, tanto o maestro quanto os músicos não apenas tocam, realizam verdadeiras performances no palco. Basta citar o arranjo de "Cabelo de Fogo" (Maestro Nunes), onde os instrumentistas formaram um círculo no palco, sentando-se e parando de tocar, prosseguindo a música através de vocalises (enquanto uns cantavam, outros pulavam e voltavam a se agachar).

Os escritores pernambucanos também foram bastante prestigiados pelo público no final da Feira. Assim como Jessier Quirino quinta e sexta, o poeta Marcus Accioly teve grande platéia em seus recitais na sexta e no sábado, tanto que foi convidado a tomar parte na I Maratona de Leitura de Contos, que foi das 10 às 20h do domingo. Como o nome indica, a maratona privilegiou a leitura, por escritores, de contos de autores gaúchos, de modo que a participação de Accioly, lendo seus próprios poemas, pode ser considerada uma honrosa exceção no evento.


  • Making-off do texto - Meu oitavo texto publicado no site do Café Colombo, em 19.11.08. Mantive aqui meu título original, já que a matéria saiu lá como Balanço da Feira do Livro de Porto Alegre. Embora tenha, sim, alguns números de vendas e público, a maior parte do texto segue reportando o destaque para os artistas pernambucanos na capital gaúcha. 
  • A cobertura que fiz da Feira para o Café Colombo irá encerrar na próxima publicação das Ovelhas Desgarradas. Em seguida, pretendo publicar também outros textos que fiz sobre a edição da Feira de 2008 e que divulguei na época em meus sites. 




Nenhum comentário:

Postar um comentário